terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

É como uma costela quebrada

Sempre quis tocar em uma banda.Passava o dia bolando nomes e logos de bandas imaginárias :Hell's,Slaughterhouse,Soul Ghost,Discharge,Disgrace...Fazia as capas,os títulos das músicas...Era um aidéia fixa!Depois de minha frustração na tentativa de me tornar vocalista concentrei meus esforços em aprender a tocar um instrumento que me fascinava : Guitarra. Eu já arranhava um violão mal e porcamente,onde passava o dia inteiro fazendo o começo de Asa Branca! Meu pai um dia explodiu e disse que ,ou eu aprendia a tocar aquela merda ou nuca mais me aproximaria de um violão de novo...hehehe E isso foi o incentivo que eu precisava,aos poucos fui pegando as manhas e tirando de ouvido as músicas que eu gostava.Mas sempre no velho Tonante cinza ,guitarra só pegava na casa de Khan,ele tinha (tem)uma Epiphone que era (é) muito massa,e onde eu fui aos poucos pegando um riff aqui uma escala acolá,mas ainda não estava pronto pra encarar uma banda...O tempo foi passando e em 1994 eu fiz uma prova pra Marinha,passei e em 95 fui morar em Vila Velha-ES.Como o curso era internato.Só saímos nos fins de semana,não tive muito contato com a cena local mas conheci algumas coisa como o Mukeka di Rato,Primal,Seven...E aconteceu uma coisa surreal:Uma vez folheando a sessão Demo Assault da Rock Brigade eu li uma resenha sobre uma banda Death chamada Desintegration,fiquei até curioso a banda era de Brasília.Um dia eu estava na casa de uma amiga que fiz na cidade via carta(!) e era aniversário dela e um dos convidados me pareceu familiar...Não é que era o Júnior,baixista do Desintegration que tinha se mudado pra cidade também? Efeito Borboleta heheheh Mas só o vi essa vez.No ambiente de trabalho eu tinha poucos amigos...A maioria esmagadora dos alunos eram cariocas,e fãs do funk carioca que naquela época já fazia sucesso...Roqueiros eram poucos,conheci o Modesto que era da cena Punk de Goiânia,e depois de pouco tempo pediu baixa,o Rubens catarinense que tocava em uma banda Death chamada Túmulo,e o Roberto Boa Nova que era um bicho grilo fã de Hendrix,The Doors e que se tornou meu melhor amigo,e é um dos até hoje.No decorrer do curso criaram uma banda,a escola tinha os instrumentos e procuravam alunos que soubessem tocar pra formar um grupo pra animar os eventos internos da escola e pra tocar na formatura no final do ano,fizeram uma audição e foi bacana descobrir que tinha pessoas que gostavam de música lá também.Eu fiz a minha audição tocando Stairway To Heaven,mas aí o "maestro" pediu pra eu tocar um samba,aí eu me lasquei...Teve um louco que tocou o riff de Say What You Will do Fastway!!!! Eu pensei que o cara sacava de som,mas ele me disse que nem sabia o nome da música só curtia por ser  o tema de abertura de Armação Ilimitada! huahauah O resultado final foi que formaram uma banda que só sabia tocar Ode To My Family do The Cramberries,e passamos o ano todo ouvindo essa música!hauhauahu   Mas foi bom por que os músicos(aspirantes) se conheceram e fizeram amizade,inclusive uma Jam nossa acabou em cadeia! Na semana santa os cariocas foram dispensados pra passar o feriado em casa e a galera do Norte/Nordeste/Sul permaneceu na escola e como não tinha pra fazer surrupiamos a chave do Auditório pra fazer um som...Tentávamos tocar You Could Be Mine do Guns!Mas tinha um oficial lá que não gostou,nos chamou,nos esculhambou,e recolheu a gente pro xadrez...Mas valeu!Como disse anteriormente eram poucos os roqueiros mas eram todos muito gente boa,tinha outro o Orlando que me deu uma pra ouvir dizendo que tinha Faith No More,Jane's Addiction,e Janis(mas a "música da Janis" era Here |Again do Rush com a rotação alterada) mas um daqueles casos...hehehe Foi nesse período que eu registrei pela primeira vez "músicas" em um fita demo,me lembro muito bem foi numa tarde chuvosa de Domingo em 1995,eu o Boa Nova.Ele tinha um projeto de banda chamado Costela Quebrada,um rock n´roll em português uma mistura de AC/DC e Raul Seixas!...Ele tinha um letra e a idéia do riff, solfejou e eu passei a idéia para o violão.Pegamos um walkman e gravamos ali mesmo no corredor dos alojamentos perto da escadaria...Lembro disso até hoje!
A letra dizia:
" Eu quero Rock N' Roll  nas minhas veias
Eu quero as escrituras gregas na minha mesa
Pra eu enfrentar todo tipo de injustiça
Pra eu recitar todo tipo de feitiço

Eu não nasci ouvindo Beatles
Era só eu e o meu livre arbítrio
A realidade dói mas não mata
É como uma costela quebrada
Que nada!
Que faz crescer
Que não machuca
nem faz doer..."

Essa letra ficou gravada na minha mente até hoje! Uma lembrança de um tempo ao mesmo tempo triste e libertador.A vida longe de casa,a responsabilidade de levar a vida sozinho,mas também o prazer de fazer o que quisesse.Tive cabeça pra enfrentar a vida só em uma terra estranha e escapar ileso.Ainda gravamos mas um improviso,onde criamos alguns versos sobre uma base blues,tudo só na voz e violão...Saiu tosco,lógico.Mas foi mágico.Ali eu descobri que além de copiar as músicas dos meus ídolos ,eu era capaz de compor...Coisa que faço até hoje.Quando o curso acabou cada um tomou seu rumo,eu e Beto fomos para o Rio ,terra natal dele,mas perdemos contato por um tempo,mas nos reencontramos um tempo depois...E vieram mais aventuras musicais,mais Rock N´Roll...Até a próxima!