quarta-feira, 20 de novembro de 2013

It's a long way to the top if you wanna Rock N'Roll part II

Depois de ficar meses a fio ouvindo a mesma fita do Slayer fui aos poucos ampliando meu conhecimento sobre aquele estilo que era muito novo pra mim:o tal do Metal.Um belo dia veio parar em minhas patas um material que iria mudar a minha vida dali pra frente.Era uma K7 de um disco ao vivo de um tal de Iron Maiden...Fomos curtir o som na casa de Cosmo e quando o som começou a rolar,fiquei desnorteado."Que banda massa!" -Comentamos.Como sempre o desespero tomava  conta de mim pelo fato de não saber que músicas eram aquelas,e eu tinha ficado alucinado por um som que começava como uma narração sinistra seguida de uma pauleira desenfreada,vocais agressivos,solos mágicos...enfim,a música perfeita.E eu tinha que saber que som era aquele! Semanas se passaram e nesse período de tempo acabei fazendo amizade com uma turma bacana do Anjo,entre eles um camarada muito gente boa que se chamava Alex.Um cara muito engraçado,cheio de putarias,e que também gostava de Metal,principalmente Metallica.Ele tinha uma irmã chamada Alessandra( que era ,como todas as aspirantes a rockeiras daquele tempos,apaixonada pelo Guns N'Roses e principalmente pelo Bon Jovi)igualmente gente boa.Pois bem,naquela época Alex já conhecia bem o Iron Maiden e tinha duas fitas da banda ,uma do ao vivo Life After Death,e outra com um mix de músicas do The Number Of The Beast,Powerslave e Somewhere In Time.E o melhor com as capinhas com o nomes de suas respectivas faixas.Depois que ficamos amigos ele me emprestou as fitas,me lembro muito bem do aspecto dessas fita.Uma Bulk transparente,com a tarjeta preta...Foi aí que descobri que a música que tanto chamou minha atenção na fita ao vivo do Iron se tratava de The Number Of The Beast.Essa música merece um parágrafo à parte.
Desde que eu me entendo por gente eu sempre,sempre tive um interesse por tudo que fosse ligado ao sobrenatural,ocultismo,filmes de terror,quadrinhos de horror etc.Antes de saber o que era Rock eu já devorava edições de revistas como Sobrenatural,(que aliás tem o mesmo nome da primeira letra que eu fiz pra uma música em 1992 que está poder de Khan,tentarei postar aqui assim que possível),Kripta,Histórias Reais de Lobisomem e Calafrio,além de sempre assistir os clássicos de terror que passavam na TV naquelas noites como Sexta feira 13,Bala de Prata, Um Lobisomem Americano em Londres,Hora do Pesadelo,Rock do Dia das Bruxas,Helloween,Poltergeist...e ficava horas e horas desenhando todo tipo de capetas imagináveis:|De chifres,com um olho só,sem cabeça,com cara de caveira,tudo que era diabo saía do meu juízo...hehehe Me lembro que meu irmão pegava meus desenhos(que eu escondia) e mostrava pra minha mãe,que me perguntava assustada: "Meu filho,por favor diz pra mamãe,tu tá usando droga? Por que  não é normal isso sair da cabeça de uma pessoa sã!".Meu irmão ainda dizia que de madrugada aqueles demônios viriam me visitar...E confesso que eu me cagava de medo ! huahuahauha Tinha altos pesadelos.Mas continuava desenhando.Voltando ao Maiden,como eu era ligado nessas paradas de capeta e tal,quando ouvi The Number...fiquei perplexo!Tudo se encaixava pra mim.Encontrei a trilha sonora pras minhas leituras,e pras horas em que eu me debruçava sobre uma folha em branco pra fazer meus desenhos.E confesso que essa fita me marcou demais,pra mim o Iron Maiden era uma banda satanista de verdade...Run To The Hills,eu entendia Run To The HELL!!! heheheh A intro de Alexander The Great me transportava pra um cemitério gigantesco em uma noite de lua cheia,silencioso e lúgubre.Eu me deitava no quarto e ficava literalmente viajando com cada nota daquelas músicas.Todas tinham um clima diferente,uma coisa inexplicável que me cativava profundamente. Às vezes eu vejo pessoas se referindo aos bangers que começaram a ouvir som  há mais tempo ,como se fossem pedantes quando dizem que hoje ouvir som e ser um fã de Metal não é mais como era.E eu confirmo: NÃO É! Mas isso não quer dizer que  hoje é pior .Muito pelo contrário.Mas o sentimento era diferente,era mesmo.Hoje quando você conhece uma banda você já sabe tudo sobre ela em um segundo.Naqueles tempos,se uma banda chegava na sua mão com a fama de satânica você a ouviria acreditando nisso!!! Quando eu olhava as fotos do Venom eu acreditava piamente que aqueles caras eram filhos legítimos do diabo,eu tinha receio de ouvir Venom sozinho,sério mesmo! Pra mim o diabo iria aparecer a qualquer momento,hoje pode parecer piada mas na época isso era normal...Então ouvir uma fita ou um disco de Metal era como um acontecimento extraordinário,um misto de excitação e um pouco de receio por achar que poderia estar fazendo algo de errado,quase que cometendo um crime! huahauhau Então quando eu ouvia o Iron Maiden com minha cabeça cheia de idéias deturpadas era totalmente diferente de quando eu ouço a banda hoje.Tudo tinha uma conotação subliminar.As capas de Derek Riggs sempre vinham com um símbolo escondido entre a arte...Muitos pensavam se tratar de um sinal ocultista ou coisa parecida,depois foi descoberto que se tratava de uma espécie de assinatura...Mas até se descobrir isso,neguinho já tinha pensado muita merda a  respeito desse símbolo.A figura de Eddie me assombrava,depois que eu o vi a capa do primeiro disco do Maiden,nunca mais parei de desenhá-lo...Tudo que envolvia a existência do Maiden me atraía.Durante muitos anos foi a minha banda preferida.Finalmente tinha encontrado a banda perfeita!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

It's a long way to the top if you wanna Rock N'Roll Part I

Acho que foi em 1987 ou 1988 que a TV Mirante foi inaugurada.E nessa fase experimental a emissora passava o dia todo exibindo video clipes.Entre vídeos de Lou Reed e Tânia Alves( Chá,chá,chá de mandragora...hehehehe),tinha um que chamou minha atenção de imediato:Começava com umas imagens sem som,pra de repente entrar um riff de guitarra estridente e em seguida um vocalista se rasgava com uma voz áspera e trejeitos meio"estranhos" pra mim na época...Era o clipe de Sweet Child O'Mine do Guns N'Roses,eu lembro que achei aquela música muito boa e a partir daí comecei a me interessar mais e mais por aquele estilo de som pesado.Hoje quando você descobre uma banda nova,basta digitar seu nome no Google que aparece TUDO sobre eles,mas há 25 anos atrás isso era impossível e inimaginável,informações eram conseguidas na raça,comprando uma revista ali,perguntando pra um amigo acolá,e aí que morava o problema:Eu não tinha amigos que gostavam de Rock,então minha luta era solitária,aos poucos fui tentando encontrar pessoas no meu bairro que tivessem o mesmo interesse que eu tinha pelo som"Pauleira" como muitos chamavam.As coisas começaram a mudar quando fui morar em outra rua,e logo nos primeiros dias na nova casa,estando um dia na janela vi dois moleques magrelos dançando Break de baixo de um poste no canto da rua deserta,depois descobri que eles eram meus vizinhos do lado,dois irmãos:Neto e Cosmo (R.I.P.).Acabamos nos tornando amigos...Só me incomodava aquele negócio de Miami e Break que eles gostavam,e um dia conversei com eles sobre Rock falei das bandas, eles se interessaram pelo estilo e pra minha surpresa passaram a ouvir Rock também.Estava formada minha primeira patota ,começamos a procurar conhecer outras bandas e então um belo dia Cosmo apareceu com uma fita amarelada,que segundo ele era de uma banda chamada AC/DC.E lá fomos nós pra fazer uma das maiores confusões entre bandas da minha vida...hehehehe.Botamos o som pra rolar e aquilo me entorpeceu...A experiência de conhecer um som completamente novo e diferente é indescritível.Era um Rock mais pesado,rápido,agressivo;muito diferente do pouco que eu já tinha ouvido e conhecido.Virei fã do tal "AC/DC" ouvíamos essa fita todas as tardes,afinal era a única que tínhamos,eu era tão liso que nem grana pra comprar uma k7 e  fazer uma cópia eu tinha...Passado um tempinho,fomos na casa de Petrúcio um amigo de Cosmo que também gostava de Rock e tinha uma pequena coleção de vinis do Kiss,e era um dos poucos que possuia CDs,já que era muito caro nessa época,lembro que ele me mostrou o CD Countdown To Extinction do Megadeth como se fosse um tesouro, e afinal era mesmo.Só faltava o aparelho pra ele ouvir...Então enquanto falávamos com empolgação sobre as novas bandas que estavam conhecendo,o nome AC/DC surgiu:
Eu:- Cara ,tu conhece AC/DC? Essa banda é muito massa!
Petrúcio:- É legal ,só não curto o vocal...
Eu:-?
Pensei comigo mesmo,"Esse cara não sabe de nada,o vocal é o melhor..."Aí,eu vi o Who Made Who lá encostado do 3 em 1 e pedi pra ele colocar pra eu conhecer o disco,na hora que começou o som eu disse:"Rapaz,é a mesma banda que eu ouvi,mas tá muito diferente,e pra falar a verdade não gostei do vocal também..." A confusão estava instalada na minha cabeça.Que banda era aquela da k7?( Vale lembrar que muitas vezes essas fitas chegavam em nossas mãos sem nem sabermos os nomes das músicas,dos discos... sem informação alguma.).Passou mais um tempo,e em outra visita que fizemos a Petrúcio,quando chegamos na frente da casa dele estava rolando um som muito parecido com o da banda que ouvíamos na fita...Quando perguntei que banda era aquela ele me mostrou a capa do disco,uns garranchos mal pintados,vi o nome do disco Reign In Blood...a banda SLAYER.!!!Depois ele colocou o Live Undead aí não tive dúvidas era a mesma banda que eu tinha me tornado fã sem nem saber o nome,coisas que não acontecem mais hoje em dia...hehehehe Mistério resolvido...Descobri que a banda era o Slayer ao invés do AC/DC,mas o disco não era o mesmo...Fui atrás até que descobri que se tratava do Show No Mercy.Quando vi aquela capa eu fiquei meio assustado,aquele bode de olhos vermelhos,o logotipo,aquele louro com uma cruz de cabeça pra baixo,foi um misto de temor e atração pelo desconhecido.A partir dali o Slayer,passou a ser meu segredo,minha banda favorita...Me lembro que pintei várias camisetas com o logo do Slayer.Uma época meu pai trabalho numa campanha eleitorale ganhou toneladas de camisas do candidato pra distribuir,eu roubava as camisas e pintava ,fazia uma quadrado preto na cara do político e mandava um SLAYER,uma vez sujei as mãos de tinta vermelha e carimbei na camiseta como se alguém estivesse se agarrando na camiseta enquanto morria ensanguetado...Coisa de adolescente transtornado pela vontade de chocar...Minha mãe ficou horrorizada com essa camiseta e me proibiu de usá-la.Mas eu usei escondido...hehehehe Depois de saber que se tratava do Slayer aquela banda que eu tanto havia gostado,aí que eu e Cosmo ouvíamos mais ainda,passamos uns seis meses ouvindo Show No Mercy todas as tardes,até que a fita arrebentou,o tape deck praticamente mastigou metade da fita...Mas eu fui lá cortei a parte danificada e pus pra rodar de novo,e passou a começar logo pelo primeiro solo de Die By The Sword,então eu tive uma idéia pra dar uma cara mais macabra à fita,como sempre fui fã de filmes de horror,nós gravamos uma "Intro" sobre a parte do solo.Enquanto Cosmo assobiava simulando um som de vento,eu com uma voz"sinistra" apresentava a banda: "The Pain is(sic) Slayer,Dave Lombardo-drums,Guitars-Jeff Hanneman and Kerry King,Tom Araya-bass and vocals" .Hoje até pra mim isso é engraçado,mas na época ficou foda!hehehehe...Daria tudo pra ter essa fita comigo até hoje,pena que eu perdi...Até hoje me lembro do aspecto físico propriamente dito,dessa K7.Era amarelada pelo tempo,e fizemos aquela caveira com capacete (Slaytanic Wermacht)) pra enfeitar a fita.Enfim,muitas lembranças e saudades dessa época...Da época que o Slayer pra mim era tudo,até surgir outra banda...(cont.)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Bem vindos

Sempre pensei em documentar uma parte da trajetória do som pesado no nosso estado ,mas por fatores alheios a minha vontade,sempre fui obrigado a postergar o início desse projeto na esperança de que alguém me desse um empurrãozinho pra por a mão na massa ou mesmo se voluntariando pra me ajudar.Como isso não aconteceu,decidi eu mesmo começar sozinho na esperança que outros amigos se juntem a mim nessa empreitada.Afinal,cada um que participa ou participou em algum período da cena Rock do nosso estado tem alguma história pra contar.Mas ressalto aqui não é espaço pra falar daquele show do Blind Guardian,nem da importância que teve o show do Scorpions para nossa cidade,nem pra choramingar pelo fracasso do M.O.A....O que quero publicar e ler aqui é sobre aquele show do Har-Maggedom lá no Bar do Porto,da marra de Paulo Cross e do Vomitorial Lord no Night And Day,dos festivais lá no Teatro Itapicuraíba lá no Anjo da Guarda...Quero falar da NOSSA história,que foi relegada a segundo plano durante todos esses anos.De todos os estados do Nordeste o Maranhão sempre foi o mais carente em termos de documentação de Rock pesado,e apesar disso já temos uma boa história pra contar no underground, só falta contar essa história pra alguém e é isso que eu quero fazer aqui.Vou falar das bandas que conheci,das pessoas que conheci,das bandas que participei,das minhas experiências na famigerada cena Rock de São Luís,e sei que talvez vá desagradar um ou outro mas posso garantir, se eu falar alguma coisa de alguém a pessoa pode até não gostar mas nunca vai poder negar que o que aconteceu foi verdade.Mentiras não combinam comigo.Queria aproveitar pra pedir a colaboração das pessoas que acessarem o blog no intuito de contribuir, se possível,na coleta de informações.Se você teve uma banda,mande seu release,sua história,uma foto.Não precisa ser de 1982.Pode ser de 2000,2001,1990,2009 tudo é história.Ontem já é passado!.Se teve uma experiência diferente,ou uma lembrança boa de momentos especiais que viveu no underground e quiser compartilhar com a gente,manda bala! O espaço está aberto pra todos.A memória do Rock maranhense não tem  dono, é um patrimônio nosso devemos apenas zelar por ele pra que nossos filhos,e as gerações que estão por vir ,vejam que aqui também tem Rock.
Então,é isso.
Vamos participar,vamos ler,vamos contribuir...Que esse espaço seja uma fonte de troca de informações bastante proveitosas para todos nós.Um abraço e Let There Be Rock!!!!