segunda-feira, 4 de novembro de 2013

It's a long way to the top if you wanna Rock N'Roll Part I

Acho que foi em 1987 ou 1988 que a TV Mirante foi inaugurada.E nessa fase experimental a emissora passava o dia todo exibindo video clipes.Entre vídeos de Lou Reed e Tânia Alves( Chá,chá,chá de mandragora...hehehehe),tinha um que chamou minha atenção de imediato:Começava com umas imagens sem som,pra de repente entrar um riff de guitarra estridente e em seguida um vocalista se rasgava com uma voz áspera e trejeitos meio"estranhos" pra mim na época...Era o clipe de Sweet Child O'Mine do Guns N'Roses,eu lembro que achei aquela música muito boa e a partir daí comecei a me interessar mais e mais por aquele estilo de som pesado.Hoje quando você descobre uma banda nova,basta digitar seu nome no Google que aparece TUDO sobre eles,mas há 25 anos atrás isso era impossível e inimaginável,informações eram conseguidas na raça,comprando uma revista ali,perguntando pra um amigo acolá,e aí que morava o problema:Eu não tinha amigos que gostavam de Rock,então minha luta era solitária,aos poucos fui tentando encontrar pessoas no meu bairro que tivessem o mesmo interesse que eu tinha pelo som"Pauleira" como muitos chamavam.As coisas começaram a mudar quando fui morar em outra rua,e logo nos primeiros dias na nova casa,estando um dia na janela vi dois moleques magrelos dançando Break de baixo de um poste no canto da rua deserta,depois descobri que eles eram meus vizinhos do lado,dois irmãos:Neto e Cosmo (R.I.P.).Acabamos nos tornando amigos...Só me incomodava aquele negócio de Miami e Break que eles gostavam,e um dia conversei com eles sobre Rock falei das bandas, eles se interessaram pelo estilo e pra minha surpresa passaram a ouvir Rock também.Estava formada minha primeira patota ,começamos a procurar conhecer outras bandas e então um belo dia Cosmo apareceu com uma fita amarelada,que segundo ele era de uma banda chamada AC/DC.E lá fomos nós pra fazer uma das maiores confusões entre bandas da minha vida...hehehehe.Botamos o som pra rolar e aquilo me entorpeceu...A experiência de conhecer um som completamente novo e diferente é indescritível.Era um Rock mais pesado,rápido,agressivo;muito diferente do pouco que eu já tinha ouvido e conhecido.Virei fã do tal "AC/DC" ouvíamos essa fita todas as tardes,afinal era a única que tínhamos,eu era tão liso que nem grana pra comprar uma k7 e  fazer uma cópia eu tinha...Passado um tempinho,fomos na casa de Petrúcio um amigo de Cosmo que também gostava de Rock e tinha uma pequena coleção de vinis do Kiss,e era um dos poucos que possuia CDs,já que era muito caro nessa época,lembro que ele me mostrou o CD Countdown To Extinction do Megadeth como se fosse um tesouro, e afinal era mesmo.Só faltava o aparelho pra ele ouvir...Então enquanto falávamos com empolgação sobre as novas bandas que estavam conhecendo,o nome AC/DC surgiu:
Eu:- Cara ,tu conhece AC/DC? Essa banda é muito massa!
Petrúcio:- É legal ,só não curto o vocal...
Eu:-?
Pensei comigo mesmo,"Esse cara não sabe de nada,o vocal é o melhor..."Aí,eu vi o Who Made Who lá encostado do 3 em 1 e pedi pra ele colocar pra eu conhecer o disco,na hora que começou o som eu disse:"Rapaz,é a mesma banda que eu ouvi,mas tá muito diferente,e pra falar a verdade não gostei do vocal também..." A confusão estava instalada na minha cabeça.Que banda era aquela da k7?( Vale lembrar que muitas vezes essas fitas chegavam em nossas mãos sem nem sabermos os nomes das músicas,dos discos... sem informação alguma.).Passou mais um tempo,e em outra visita que fizemos a Petrúcio,quando chegamos na frente da casa dele estava rolando um som muito parecido com o da banda que ouvíamos na fita...Quando perguntei que banda era aquela ele me mostrou a capa do disco,uns garranchos mal pintados,vi o nome do disco Reign In Blood...a banda SLAYER.!!!Depois ele colocou o Live Undead aí não tive dúvidas era a mesma banda que eu tinha me tornado fã sem nem saber o nome,coisas que não acontecem mais hoje em dia...hehehehe Mistério resolvido...Descobri que a banda era o Slayer ao invés do AC/DC,mas o disco não era o mesmo...Fui atrás até que descobri que se tratava do Show No Mercy.Quando vi aquela capa eu fiquei meio assustado,aquele bode de olhos vermelhos,o logotipo,aquele louro com uma cruz de cabeça pra baixo,foi um misto de temor e atração pelo desconhecido.A partir dali o Slayer,passou a ser meu segredo,minha banda favorita...Me lembro que pintei várias camisetas com o logo do Slayer.Uma época meu pai trabalho numa campanha eleitorale ganhou toneladas de camisas do candidato pra distribuir,eu roubava as camisas e pintava ,fazia uma quadrado preto na cara do político e mandava um SLAYER,uma vez sujei as mãos de tinta vermelha e carimbei na camiseta como se alguém estivesse se agarrando na camiseta enquanto morria ensanguetado...Coisa de adolescente transtornado pela vontade de chocar...Minha mãe ficou horrorizada com essa camiseta e me proibiu de usá-la.Mas eu usei escondido...hehehehe Depois de saber que se tratava do Slayer aquela banda que eu tanto havia gostado,aí que eu e Cosmo ouvíamos mais ainda,passamos uns seis meses ouvindo Show No Mercy todas as tardes,até que a fita arrebentou,o tape deck praticamente mastigou metade da fita...Mas eu fui lá cortei a parte danificada e pus pra rodar de novo,e passou a começar logo pelo primeiro solo de Die By The Sword,então eu tive uma idéia pra dar uma cara mais macabra à fita,como sempre fui fã de filmes de horror,nós gravamos uma "Intro" sobre a parte do solo.Enquanto Cosmo assobiava simulando um som de vento,eu com uma voz"sinistra" apresentava a banda: "The Pain is(sic) Slayer,Dave Lombardo-drums,Guitars-Jeff Hanneman and Kerry King,Tom Araya-bass and vocals" .Hoje até pra mim isso é engraçado,mas na época ficou foda!hehehehe...Daria tudo pra ter essa fita comigo até hoje,pena que eu perdi...Até hoje me lembro do aspecto físico propriamente dito,dessa K7.Era amarelada pelo tempo,e fizemos aquela caveira com capacete (Slaytanic Wermacht)) pra enfeitar a fita.Enfim,muitas lembranças e saudades dessa época...Da época que o Slayer pra mim era tudo,até surgir outra banda...(cont.)

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